A quaresma traz em sua proposta um itinerário formativo que culmina no processo de conversão. Alinhados a esse tempo propício, e em sintonia com o Jubileu 2025, temos a alegria de refletir essa semana sobre o caderno do concílio nº 24, que tem como título: Maria, a Primeira Fiel. Inicio esse texto trazendo o tempo litúrgico da quaresma pois, sendo esse um tempo para mais próximos estarmos de Jesus, juntamente com a oração o jejum e a caridade (CIC 1438), acredito sem medo de estar errado, que em Maria temos o caminho mais eficaz para chegarmos a Cristo, enquanto peregrinos da esperança que somos.
O amor por Maria em nossa missão educativa se deu desde nossa fundadora Madre Teresa. A congregação escolheu o nome de Nossa Senhora e escolheram Maria como modelo e mãe. Como Maria “a serva do Senhor, Madre Teresa e suas irmãs desejavam não ser o centro das atenções, mas, ao invés disso, em silêncio fazer o trabalho de Deus, porque “[…] a causa de Deus era a única preocupação de seus corações”. (Carta 895).
O Caderno 24 nos convida a uma profunda reflexão, à luz dos escritos do Concílio, sobre Maria — Mãe de Deus e da Igreja. O primeiro título é uma herança do Concílio de Éfeso (431), enquanto o segundo foi reafirmado pelo Concílio Vaticano II. Para Santo Agostinho, Maria é o membro mais ilustre da Igreja, sem estar fora ou acima dela. Igreja e Maria se iluminam mutuamente. Mesmo em sua humildade e simplicidade, a Mãe de Cristo se torna uma grande figura materna para toda a Igreja.
Fala Papa Francisco em um discurso aos professores e estudantes da Pontifícia Faculdade Teológica Marianum de Roma: Assim como o Concílio trouxe à luz a beleza da Igreja, voltando as fontes e removendo a poeira que assentara sobre ela ao longo dos séculos, também as maravilhas de Maria podem ser redescobertas da melhor forma, indo ao coração do seu mistério. Eis que emergem dois elementos, bem destacados pelas Escrituras: Ela é mãe e mulher. Também a Igreja é mãe e mulher.
Além de mãe Maria é modelo. O terceiro capítulo do caderno apresenta a santidade teologal de Maria: ela vive plenamente a perfeição da fé, da esperança e da caridade. Como serva do Senhor, colocou-se inteiramente à disposição de Deus, sendo também peregrina da esperança, tornando de sua vida um contínuo culto ao Altíssimo. Suas virtudes devem ser imitadas — sendo ela, assim como foi para as Irmãs Escolares, também nosso modelo de vida e santidade. Afinal, como vimos no texto anterior, fomos criados para sermos santos como nosso Pai é santo (Lv 11,44).
Afirma São Luís Maria Grignion de Montfort que a devoção a Santíssima Maria é o caminho mais curto para encontrar Jesus Cristo, sendo ela, portanto, aquela que, na Igreja, ocupa, abaixo de Cristo, o lugar mais alto, lugar que é ao mesmo tempo o mais próximo de nós. Portanto estimado leitor, não querendo me alongar, que possamos nos aproximar cada vez mais da mãe de Jesus e nossa. Ela que não cansa de interceder por nós dia após dia. Aquela que por sua intercessão Jesus manifestou publicamente seu primeiro milagre em Caná (Jo 2,1-12). Que aprendamos com ela guardar cada palavra de Cristo em seu coração: “guardava todos esses acontecimentos, meditando-os em seu coração” (Lc 2,19).
Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja, interceda por nós neste ano jubilar, e nos obtenha as graças necessárias para sermos fiéis discípulos de Jesus e colaboradores na obra da salvação, e que nos conduza ao encontro eterno com Deus no Céu. Amém.