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Enquanto escola católica, todos os anos, durante o período quaresmal, enquanto momento forte da prática penitencial da Igreja, nos unimos à Igreja do Brasil para refletir e vivenciar a Campanha da Fraternidade. A Campanha deste ano tem por tema Fraternidade e Moradia e por lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).
Sim, por mais atentos que estejamos, precisamos dar-se conta para a realidade social, que muitas vezes vem acompanhada do sofrimento de nossos irmãos. Existem em nossa cidade muitas pessoas sem moradia ou vivendo em casas inadequadas, correndo, em muitas vezes, risco de vida. A moradia é um direito de todos, porém sabemos que, por inúmeros motivos, nem sempre é uma realidade que se concretiza. Afirma o Catecismo da Igreja Católica: “Os bens da criação são destinados a todo gênero humano. A terra está, contudo, repartida entre os homens para garantir a segurança de sua vida, exposta à penúria e ameaçada pela violência”.
Várias são os contextos que levam a falta de moradia, mas devido aos recentes acontecimentos não podemos deixar de citar a triste realidade da guerra, que deixa dia após dias centenas de mortos e desabrigados. Corremos o risco, ao falar dessa sensível realidade, de cairmos em ideologias ou politicagens, porém, não se trata apenas de uma questão social e política, mas também, e mais radicalmente, de uma questão de fé, de evangelização.
Diante dessa realidade, somos convidados, como comunidade educativa cristã, a olhar com mais atenção para aqueles que vivem ao nosso redor. A Campanha da Fraternidade nos recorda que a fé não pode permanecer apenas em palavras, mas precisa se transformar em atitudes concretas de cuidado, respeito e solidariedade.
Enquanto instituição educacional algumas ações práticas pelas quais podemos começar é desculpabilizar os mais pobres da maior responsabilidade no acesso a uma moradia digna, por se tratar de um direito a ser garantido pelo Estado por políticas públicas, e não por mérito individual apenas, pois a condição de “sem teto” é frequentemente estigmatizada como fracasso pessoal. Quando possível alinhar às habilidades e campos de experiência a conscientização sobre a realidade da moradia, promovendo o entendimento da moradia como direito e não como mercadoria, alinhados assim às metas da ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis. Quando nos sensibilizamos com o sofrimento do outro, aprendemos também a reconhecer nele a presença de Cristo, que veio habitar entre nós e compartilhar a vida humana.
Por isso, este tempo quaresmal é também um convite à reflexão e à mudança de atitudes. Como educadores, estudantes e famílias, podemos aprender a valorizar mais aquilo que temos e, ao mesmo tempo, desenvolver um olhar mais atento para as necessidades de nossos irmãos. A educação cristã nos ensina que construir uma sociedade mais justa começa com pequenos gestos do dia a dia: acolher, partilhar, respeitar e cuidar.
Que a Campanha da Fraternidade deste ano nos ajude a crescer na fraternidade e na responsabilidade com o próximo. Que possamos refletir, rezar e agir, para que, pouco a pouco, nossa sociedade se torne um lugar onde todos possam viver com dignidade e segurança, tendo aquilo que é essencial para a vida, entre eles, um lar.
Diego Garcia